sexta-feira, 19 de outubro de 2012

LAMPIÃO, A HISTÓRIA QUE NÃO FOI CONTADA

Rogério Mota


O grande cangaceiro Virgulino Ferreira, vulgo Lampião que nunca atacou ou mesmo assaltou na cidade de Triunfo pois, tinha pela cidade o maior respeito e admiração por ter na cidade a Santa Nossa Senhora das Dôres como a padroeira de Triunfo e a sua sempre protetora. Meu avô Genésio Lima, obedecia piamente aos chamados de Lampião. 

Na época em que estava próximo a sua terra natal Serra Talhada, o grande cangaceiro, muito vaidoso, mandava chamar o meu avô, artesão e fotografo na cidade de Triunfo. Ele tirava as fotos, conversava com todos do bando e as vezes levava a sua filha mais velha a minha tia Maura para cantar para todos os cangaceiros. Ela tinha uma voz muito bonita e na época tinha seus 10 a 12 anos de idade.

 Agora, o mais interessante desta história e ao mesmo tempo muito lamentável para todos aqueles que gostam das histórias de Lampião, foi que, quando o meu avô tomou conhecimento que os soldados pegaram Lampião e seu bando lá pelas Alagoas, matando à todos, o meu avô pegou todas as fotografias e suas negativas que tinham com ele guardadas, colocou numa bacia e tocou fogo. Reuniu toda a sua família e, se mandou para Sertânia de onde nunca mais saiu e lá faleceu. 

Está história me foi contada pela minha tia Maura Lima, há muitos anos atrás. Com os seus 93 anos foi quando ela faleceu e, tem mais de dez anos que já se passou, com toda a sua lucidez sabia detalhar aquela época com muita riqueza. Se o meu avô não tivesse feito a bobagem que fez no momento do desespero e muito mêdo, queimando todas as fotografias, hoje estaríamos com documentos importantíssimo para o enriquecimento da história deste que foi o Rei do Cangaço, o Cangaceiro Lampião, admirado por muitos e odiado por outros.

Rogério Mota
E-mail: rogeriomota60@hotmail.com
 

7 comentários:

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    1. Em respeito à democrática linha de informação que é o OPINIÃO, venho aqui mais uma vez discordar veemente da matéria postada pelo Sr. Rogério Mota. Em primeiro lugar, Virgulino, vulgo Lampião, não atacava Triunfo por um único ( e óbvio) motivo: Triunfo era seu refúgio.Como estrategista que era, ele jamais iria atacar o lugar que lhe dava proteção. Ainda tinha também a questão geográfica. A legislação da época não permitia que polícias de estados diferentes adentrassem em outros estados. A casa do Sr. Manuel do Borges é uma prova disso além de ser um dos seus esconderijos prediletos.
      Outra questão que divirjo: " a cultura" do banditismo e da violência jamais poderia ser observada de um ponto de vista positivo.Já pensou no futuro Fernandinho Beira Mar ser considerado "herói" por distribuir dinheiro nas favelas do Rio?
      Isso é uma inversão de valores.Uma idéia absurda dessas cabe no mesmo bojo daquelas pessoas que se sensibilizam mais com um cachorro machucado no meio da rua do que com uma fila de doentes no hospital de sua cidade.Quanto a Lampião fazer parte da história eu não duvido.Inclusive, faz parte de uma das partes mais tristes da nossa história recente e que deveria por muito nos envergonhar, já que a violência praticada por ele em nada reflete ao comportamento da maioria da população nordestina.

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  2. Maria das Neves Souza22 de outubro de 2012 às 10:14

    Não dou muito crédito a essa conversa fiada de que esse bandido era um bonzinho. Quem defende são pessoas desocupadas querendo aparecer.Onde já se viu defender um assassino traiçoeiro, estuprador e bandoleiro?

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  3. Na realidade, se trata de uma questão de informação e interpretação. O próprio sobrinho de Lampião, em Serra Talhada, em 1972, me contou que tinha parentes na cidade de Triunfo, ou seja, era como acontecia em Serra Talhada. Não existia qualquer motivo para o bando atacar a cidade de Triunfo, onde seus comparsas residia. Enfim, durante toda a sua vida no cangaço, Lampião pouco visitava as duas cidades, de onde saíra ainda como "boiadeiro" ou "confecionador de selas e artefatos de couro.

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  4. Lampião atacou a cidade de Triunfo sim, segue relato, volto logo depois:
    "Quando dos festejos do reveillon, em Triunfo (PE), acalorada discussão envolvendo Marcolino Pereira Diniz e o magistrado local, de nome Dr. Ulisses Wanderley, resultou em tragédia, pois o primeiro, filho do poderoso “Coronel” Marçal Florentino Diniz, também sobrinho e cunhado do “Coronel” José Pereira Lima, chefe político de Princesa, alvejou o juiz, seguindo-se ainda disparo efetuado por homem da confiança do caboclo Marcolino, conhecido por Tocha. O magistrado ainda conseguiu reagir, atirando em Marcolino.

    Raciocinando sobre a dimensão do fato, não restou outra alternativa ao guarda-costa de Marcolino a não ser escapar da grande enrascada em que se meteram. Marcolino foi preso e constantemente ameaçado pelos familiares e amigos do magistrado assassinado.

    Pressentindo o imenso perigo que o filho corria, o “Coronel” Marçal Florentino Diniz recorreu aos préstimos de Virgulino Ferreira Lampião para retirar Marcolino da cadeia em Triunfo. Lampião e seu séqüito composto de oitenta homens cercaram Triunfo e exigiram a imediata libertação do prisioneiro, o que foi prontamente atendido pelas autoridades locais."
    O relato acima não diz, que a cidade foi invadida, houve luta e muito tiro. Os feridos, dos 2 lados foram tratados por Dr. Albino Campelo Cavalcanti, meu avô, médico do Dnocs, morador da cidade na época. História contada por D. Edith Martins Cavalcanti, minha avó, que ficou por 4 dias em casa trancada, sem o marido, com 2 filhos pequenos e uma ama (era assim que se chamavam empregadas domésticas), até a luta acabar e ele poder voltar pra casa.

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