Que eu me organizando posso desorganizar. Que eu desorganizando posso me organizar". Os versos do músico Chico Science ajudam a explicar o que foi o protesto que reuniu 52 mil pessoas (de acordo com o Governo do Estado) na tarde desta quinta-feira (20), no Centro do Recife. Sem liderança ou roteiro estabelecido, milhares ocuparam as ruas e avenidas defendendo causas diferentes, como melhorias para o transporte público, saúde e educação e críticas aos corruptos. Mas o sentimento era o mesmo. O desejo de um País melhor. Em um protesto pacífico, a população mostrou a sua força.
A maioria era estudante, mas, em meio à multidão, era fácil identificar trabalhadores, idosos e famílias reunidas. O casal Vandja França e Ijenner Nascimento, ambos com 50 anos, distribuiu flores para os participantes. Eles, que se conheceram em 1984, em uma das manifestações pelas Diretas Já, estavam felizes por voltar às ruas desta vez ao lado da filha de 20 anos. "O povo acordou. Tenho orgulho de estar aqui", disse Ijenner.
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| O casal Vandja e Ijenner estava feliz por voltar às ruas depois de 29 anos (Foto: Mariana Dantas/NE10) |
REDES SOCIAIS
O aposentado Severino Martes, de 75 anos, também estava lá com o seu cartaz: "Pare de roubar os idosos". Disse que estava lá lutando não só pelos seus direitos, mas pelo interesse comum. "Todos nós envelhecemos e merecemos respeito". [Confira na entrevista abaixo].

A passeata reuniu pessoas de todas as idades (Foto: Fábio Jardelino/NE)
Divulgado através das redes sociais que a concentração do protesto seria às 16h, na praça do Derby, muita gente preferiu ir mais cedo e, por volta das 15h, o local já estava lotado de manifestantes. Eram tantos ansiosos para ganhar as ruas que o protesto partiu às 15h30, seguindo pela Avenida Conde da Vista, e, a cada minuto, reunindo mais gente. Todos que chegavam com seus cartazes e rostos pintados eram bem-vindos, exceto os que portavam bandeiras de partidos políticos. Quem resistia em manter as bandeiras levantadas mesmo sob o coro de "sem partido" era pressionado a abandonar o ato. Um grupo chegou a tomar das mãos de outros manifestantes alguns panfletos partidários. Porém não houve confronto [veja no vídeo].
O trajeto em direção ao Marco Zero foi marcado pela tranquilidade, com tumultos isolados. Um grupo com cerca de 20 jovens foi flagrado na esquina da Rua do Hospício com a Avenida Conde da Boa Vista pichando lojas e soltando fogos de artifício do tipo 'rojão'. Ao perceber a presença de equipes da Polícia Militar, os rapazes pararam a pichação, mas alguns foram detidos.

Policiais que estavam em frente à Assembleia Legislativa usavam flores em seus coletes (Foto: Mariana Dantas/NE10)
A situação mais tensa ocorreu na Avenida Guararapes. Outro pequeno grupo, de aproximadamente dez rapazes, tentou furtar alguns manifestantes. A polícia chegou rápido e tentou prender os acusados. Na fuga, os suspeitos jogaram pedras e uma delas acabou atingindo a perna do aposentado Rubens Rocha, de 60 anos, que ficou ferido. Em outra confusão, um policial militar, que estava à paisana, tentou impedir um homicídio e acabou ferido no braço. Em nota, a Secretaria de Defesa Social informou que prendeu 28 pessoas durante o protesto.
Não houve confronto entre policiais e manifestantes (Foto: Fábio Jardelino/NE10
DISPERSÃO - A mobilização começou a se dispersar ao chegar ao Marco Zero, onde os manifestantes, sem roteiro pré-definido, sentaram no chão sem saber para onde ir. Porém vários participantes resolveram continuar a caminhada, seguindo rumos diferentes. Cerca de 200 pessoas se dirigiram à sede da Prefeitura do Recife, na Avenida Cais do Apolo. Embora a maioria pedisse pela não violência, dois fogos de artifício tipo rojão foram atirados contra o prédio, atingindo uma das vidraças.

Jovens cantavam os hinos Nacional e de Pernambuco em frente à Alepe (Foto: Mariana Dantas/NE10)
Já em frente ao prédio histórico da Assembleia Legislativa, outro ponto escolhido pelos que seguiram em caminhada, não houve atos de violências. Sentados no chão, os jovens cantavam os hinos Nacional e de Pernambuco e reivindicaram melhorias para o País.
O BRASIL NAS RUAS
TUMULTO NO AGAMENON - Quase três horas após o fim da passeata, houve tumulto provocado por um grupo de pessoas no cruzamento entre as Avenidas Agamenon Magalhães e Rui Barbosa, na área central do Recife. Aproximadamente 300 pessoas participaram da confusão, que teve empurra-empurra, queima de lixo e explosão de fogos de artifício. Ao final, com o trânsito parado por quase três horas, a polícia disparou balas de borracha.

Um grupo provocou tumulto na Agamenon Foto: Adriana Luiza/NE10
NOVO ATO - Um grupo já organiza um novo ato no Recife para esta sexta-feira (21), começando novamente na Praça do Derby, às 16h. A nova manifestação foi agendada pelo Facebook, através do evento Segundo dia de protestos em Recife! 21/06/2013. A página já tinha mais de 6 mil presenças confirmadas antes das 23h desta quinta.




Fotos: Inês Calado/NE10
Fonte: NE 10 PE







VIVA A INTERIORIZAÇÃO DO DESPERTAR POLÍTICO!!!!!!
ResponderExcluirO gigante acordou!!!
EU APOIO A PRISÃO DOS VÂNDALOS, NÃO ESTAMOS FAZENDO MANIFESTOS PARA INCENTIVAR SAQUES E BADERNAS, BEM PELO CONTRARIO NOSSOS MANIFESTOS É PARA ACABAR COM OS ROUBOS E A BADERNA QUE VIVE O CONGRESSO NACIONAL.
ExcluirSou contra a qualquer ato de violência.
ResponderExcluirPor que uma certa rede de comunicação está fazendo questão de só mostrar o vandalismo?
O povo brasileiro é pacifico e merece respeito, tem o direito de expressar suas insatisfações.
Mesmo nos momentos de diversão, nos grandes blocos de carnaval, em shows ou em grandes espetáculos existem os que não são solidários com a PAZ.
Logo, num movimento que é não bem visto pelos que não querem um Brasil melhor e só pensam nos seus próprios interesses, só exaltam a violência e o vandalismo, para desmerecer tudo o que o povo está fazendo!
Sejam coerentes e justos com as notícias, afinal todos nós somos brasileiros e o poder sempre é e sempre será temporário!