terça-feira, 10 de março de 2015

DIFÍCIL DISTINGUIR O MAU DO PÉSSIMO - POR LUIZ SAUL



Vivendo o pior dos mundos, com o otimismo verborrágico sendo confrontado pelo o alarido das ruas e o panelaço das varandas, o Brasil expõe um inusitado tipo de disputa pelo Poder. O normal seria a emulação entre ideias, ideologias e propostas programáticas. 


Esse tipo de nobreza que noutros tempo permeou as campanhas políticas e o desenvolvimento dos mandatos anda longe daqui. Já foi comum, por exemplo o trabalhismo do Vargas, a tendência socialista do Jango, o direitismo desenvolvimentista do JK, etc.. Corretos ou equivocados, os programas embasavam o de sempre: projetos de manutenção no poder, prevalecendo o que mais conquistasse o distinto público. Claro que nem tudo dava certo, porque, afinal, o Vargas suicidou-se, o Jânio foi exilado e o JK, cassado. Mas, as ideias estavam sempre ali marcando a passagem de cada qual.


Atualmente é diferente. O cenário da luta institucional opõe em um lado, partidos de acuados pelo peso de acusações de diversos tipos de corrupções, impudentes e parasitados aos cargos que ocupam sem uma percepção ética inviabilizadora de suas manutenções. Do lado, ocupantes de um poder deteriorado pelo descrédito popular, pelo despreparo para a condução, pela suspeição, pela incompetência, pelas divergências intestinas e por tantos outros males que aleijam os comportamentos. 

Vale dizer, não há ideias, só autopreservação.

Aí vêm os desavisados repetidores de motes propositadamente criados para atender a conveniências ocasionais, e envolver os incautos seguidores. A moda agora é o ódio que existiria. Foi mencionado em momentosa falação do Lula e está sendo repetido por quem resiste a uma reflexão. 

Os fatos que subsistem, no entanto, são o esfarrapamento argumentativo de todos os lados, em que tantos suspeitos se esforçam para encobrir suas culpas, transferir responsabilidades por delitos que lhes são próprios, e até inverter a direção das acusações, em tantos casos. No permeio desse espetáculo de mamulengos, para que o enredo tenha começo, meio e fim, com a devida ordenação dos diálogos, tem as mentiras, as desculpas chinfrins, as manobras diversionistas, como, por exemplo, essa coisa de atribuir as dificuldades daqui à seca e a já remota crise internacional, a qual, aliás, exceto quanto à Grécia, está praticamente superada. Só neste histrião território insiste como desculpa. 

No roteiro de malfeitos, ninguém ousa assumir uma culpa por fraquezas que são tão próprias do ser humano. Ninguém é capaz de pedir uma desculpa que seria também próprio da nobreza humana. É só uma conjunção de “acertos” do enorme bando de facínoras, não importando a que sopinha de letras pertençam. 

Difícil distinguir o mau do péssimo.

Um comentário:

  1. Esse é outro reacionário infiltrado no jornal para caluniar o pT

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