quinta-feira, 19 de março de 2015

NÃO HÁ MAL QUE NÃO CONTENHA UM BEM... POR LUIZ SAUL


O engraçado e esquisito da demissão do Cid Gomes da pasta da Educação da pátria educadora é que, no fundo, grande parcela da população esclarecida concorda, se não com o destempero, pelo menos com a sensação de que a classe parlamentar em razoável generalidade está a desmerecer a necessária e indispensável credibilidade para o exercício das investiduras. 

Na situação em que se envolveu, a liturgia apontava que o então ministro se escorregasse em desculpas e na afirmação de mal entendido, como forma de, no mínimo, preservar a paz e o cargo. No entanto, preferiu o rompante de machismo característico ao confirmar a frase sobre o achaque e os achacadores, e, mais que isso, avançar nas acusações apontando o dedão para o presidente da Câmara, sem atentar que os demais dedos apontavam para o seu passado.

Não se apercebeu de que uma vez no Governo, ainda que esfarelado e equivocado Governo, ao ministro caberia a sensatez ritualística e diplomática de não aprofundar a crise. O individualismo e a necessidade de afirmar macheza cearense entornou mais um caldo da pobre dilma, apenas liberando a conveniente oportunidade de detonar a reforma ministerial. Não há mal que não contenha um bem. 

Mas, no final das contas, fica a convicção da perda do prestígio da classe política que avança em uma desmoralização galopante provocada pelas próprias atitudes, vociferada pelas ruas, ou desvendada pelos iguais nas nobres tribunas, como foi o caso. Mas, não há que se assustar porque, como somos cínicos, em algum momento o Cid será eleito deputado e voltará para ser ovacionado na mesma tribuna que o execrou.

Não se pode afirmar que, nos termos e condições da ocasião de utilizar a tribuna da Câmara dos Deputados – ainda um dos mais nobres pilares representativos da República – o ministro haja-se constituído em um porta voz da reprovação da sociedade à classe política. Mas, é certo que, fora daquele ambiente, as acusações podem fazer sentido, pelo menos em parte. O filósofo Lula já dissera que ali se abrigavam uns 300 picaretas. É a tese da fumaça e do fogo.


Por: Luiz Saul Pereira

2 comentários:

  1. Marcelo Cordeiro Acioly20 de março de 2015 às 10:42

    A descoberta de que o PT pagou R$ 35 a cada manifestante pró-Dilma, no sábado passado, não é vem Brasília,onde há empresas especializadas. Cobram por cabeça R$ 70,00 ( mais um sanduiche), para entidades interessadas em promover passeatas nas avenidas da capital

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  2. José Medeiros de Almeida20 de março de 2015 às 11:09

    O povo brasileiro está de parabéns pela manifestação que fez no último dia 15 de março. Um movimento sem violência, contra a política econômica do governo e a corrupção da Petrobras. Mais de 2 milhões de pessoas foram às ruas , pedir o impeachment de Dilma. Precisamos de uma reforma política justa, que não prejudique os os pequenos

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