É
necessário atentar que a expulsória da dilma não será a cavalgada
patriótica de vestais para o restabelecimento da ordem. Ao contrário, o
esforço de reconstrução poderá revelar-se até mais penoso do que os
tempos de destruição. Não resumido ao Planalto, o universo das suspeitas
e das denúncias envolve a quase totalidade dos protagonistas do drama
nacional e seguirá sangrando para revelar decaídos que ainda desfilam
enganosa probidade. O castelo ainda rui.
Se não for tragado pela República de Curitiba, e se sobreviver ao fisiologismo que os novos aliados lhe imporão nas arcanas negociações políticas, o Michel Temer poderá até demarcar a trilha. Mas, antes mesmo de esfriar o corpo da defunta, os comensais da orgia de ontem já se anunciam para os banquetes de amanhã nas negociatas para a divisão do butim. Se os problemas são os mesmos, os homens na grande maioria o são também, resultando que não se vislumbra altruísmo, devoção, nem grandeza patriótica para a redução dos conflitos, mas apenas a apresentação da fatura.
A coisa é tão séria que, se pudessem, alguns dos atores produziriam um moderno Tratado de Tordesilhas em forma de tabuleiro de xadrez para melhor distribuir o espólio. No outro aspecto de garantia de desavença tem o que restará do PT, cujos dirigentes já anunciam que não haverá tréguas e que não compartilharão de qualquer processo de reconstrução como penitência de suas culpas.
Essas circunstâncias poderiam bastar para garantir o inferno do substituto. Mas, não bastam, porque ainda tem o lixo inorgânico representado pelas relações perigosas como aquela inegável e segredada com o príncipe dos malabares Eduardo Cunha, e, a outra, em que se constitui a sua desavença surda como o Renan Calheiros. Em ambos os casos não parece haver solução a partir do Temer, e nem poderá contar com a manifestação tempestiva do STF, o qual, na prudência e na cautela, parece residir em contemplações, enquanto o povaréu pede o tempo dos homens.
Assim posto, será importante que nós, o populacho, compreendamos que não existe mágica nem automaticidade para um alvorecer virtuoso e que o tempo de renovação, se houver, implicará ainda novos rangeres de dentes.
Tem-se a impressão (e apenas impressão, por enquanto) de se estar formulando uma equipe de notáveis a ser usada como a bala de prata, a única bala, sem permissão de erro na adoção de medidas firmes e adequadamente direcionadas. A virtuosidade dessa equipe com exíguo prazo de validade estará sob as controversas lentes da esperança e da desconfiança.
Dessa forma, no plano que se comenta quanto à constituição 3 superministérios (Economia, Infraestrutura e Social), ficaria faltando apenas o prosaico Ministério da Proibição de Despesas, que não existirá. Nesse caso, as pastas restantes poderiam ficar aos fisiologistas ao estilo bois de piranha enquanto se arrumaria a Casa. Mas, essa é uma engenharia difícil em um assanhamento que não se acalmará, até porque todos se sentirão pais da criança para palpitar sobre a troca das fraldas.
Nessa linha de raciocínio e de tortuosidade, o substituto ainda terá que apaziguar as vaidades e as ambições políticas dos virtuais candidatos a ministro, como é o caso do José Serra – eterno candidato a Presidente –, que fatalmente estará em uma das cadeiras, assim como da austeridade da pretensão de independência do Meirelles, outro que sentará à direita do rei. Não sem motivos, outros cotados, declinaram da possibilidade talvez por medo.
Resta patético e hilário apenas a ex-presidente afirmar que vai fazer um governo paralelo enquanto estiver no Alvorada nos próximos 6 meses.
Com que roupa?
Por: Luiz Saul Pereira
Brasília - DF


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