segunda-feira, 18 de abril de 2016

E AGORA? O TERCEIRO TEMPO DESSE INGLÓRIO JOGO - LUIZ SAUL



Agora, que uma parte importante do jogo foi jogada, afigura-se básico o desarme dos ânimos e a desconstrução da hipótese do ódio semeado ora pela imaturidade, ora pela arrogância dos atores. A reconstrução da unidade do relacionamento interpessoal da sociedade que se encontra em parte fraturado dependerá do desprendimento e da humildade sem vassalagem daqueles que incidentalmente tiveram menos votos. Este momento imediato servirá para que o país conheça os homens e os Homens. 

Nada parece singelo para um país paralisado há tanto tempo. O interregno da decisão da Câmara com a do Senado, no particular, produzirá tecnicamente uma espécie de repartição da autoridade entre o Alvorada e o Jaburu em condições de ampliar a estagnação, enquanto não solucionado o processo político. Nesse lapso, viver-se-á a dubiedade do mando (ou do desmando). 

Os maiores desafios de uma eventual gestão Temer, ou de qualquer outro substituto de orientação diversa da atual, acaso se confirme o afastamento da dilma, pelo Senado, consistirá, primeiro, no desmonte da ocupação institucionalizada de toda a máquina governamental à base do fisiologismo que manteve representantes do governo nos postos chave ou quase chave de todos os órgãos do país, desde os fundos de pensão até às empresas estatais e órgãos da estrutura do mesmo governo. As chaves dos cofres mantiveram-se nas mãos dos mesmos nos últimos anos.

Depois, a mais ingente missão do substituto resumir-se-á em compor uma equipe de gestão enxuta e competente, com a redução dos ministérios cabide, em condições de propor a recuperação da confiança e, mais que isso, a adoção de medidas capazes de persuadir todos os ramos empresariais da imposição de novos tempos e critérios, assim como de outra alternativa de diálogo. Igualmente convencer os investidores das oportunidades que o país passará a oferecer segurança às suas aplicações. E, por fim, aquilo que pode ser mais penoso, falar aos trabalhadores, sem impostura e sem engodo, sobre a reordenação das chamadas conquistas e programas sociais em um cenário de reconstrução nacional resultante de um populismo leviano com indicativo de bancarrota.

A cereja do bolo da gestão desse substituto consistiria na aplicação das reformas políticas, tributária, fiscal e trabalhista, em um mandato de pouco mais de 2 anos, que, no caso do Temer, tem o risco de não se confirmar em razão das questões subjacentes que se desenvolvem na área do Judiciário. De qualquer forma, a sociedade, que vem sofrendo as agruras decorrentes do marasmo governamental de agora, com inflação, desemprego, desindustrialização, insegurança na saúde, na educação e no cotidiano, dificilmente viverá um momento pior que o atual, mesmo com as inevitáveis reformas. Mesmo considerando os sofrimentos inerentes ao momento, podemos estar iniciando uma saída da crise de forma lenta e gradativa. Para complementar, terá ainda o substituto de desincompatibilizar das parcerias criminosamente contaminadas, e governar fora do modelo da ortodoxia em que os governantes daqui costumam se viciar, e que, em geral tem levado as gestões para a vala comum. 

Bom, com a votação dessa etapa transitada em julgado pelos juízes da Câmara dos Deputados no que respeita à admissibilidade do prosseguimento da proposta de impeachment, a dilma parece ficar com um pé fora da canoa do Planalto, ou, como ela disse, uma carta um tanto fora do baralho. 

O terceiro tempo desse inglório jogo, que se dará na arena do Senado Federal, tem, em princípio, um quê de incógnita representado pela ação do seu presidente Renan Calheiros, cuja ambiguidade guarda a defesa dos seus interesses pessoais, como de hábito. Por isso, considerando o conjunto de interesses, o preço das ações elevar-se-á ao extremo no que respeita à pressão e talvez ao valor sonante propriamente dito.

O Lula deixou a bola quicando na marca do pênalti quando se despediu da dilma com aquele: Tchau Querida!


Por: Luiz Saul  Pereira
        Brasília - DF

4 comentários:

  1. PAULO
    O que aconteceu ontem no congresso foi um GOLPE, acompanhado de uma grande palhaçada, onde a grande maioria dos deputados GOLPISTA justificava seus votos assim : VOTO PELO MEU PAI, MEUS FILHOS, MINHA AMANTE.
    Eu sinto orgulho de ter lutado contra uma ditadura pra ter o direito de votar E NÃO PRECISO DE DEPUTADOS GOLPISTAS ESCOLHENDO QUEM VAI SER NOSSO PRESIDENTE. Alem do mais escolheram dois ladroes para ser nossos representantes.

    ResponderExcluir
  2. Lucilo Correia de Araújo19 de abril de 2016 às 07:49

    Pssss.!!! Por favor, antes de sair, desejo lhe avisar que tem um Juiz - o Dr. Sérgio Moro que quer lhe entrevistar....

    ResponderExcluir
  3. WALDEMIR FARIAS JUNIOR19 de abril de 2016 às 07:51

    ESSA BANDIDA JÁ VAI TARDE. QUE LEVE JUNTO PARA A CADEIA O SEU PROTETOR LULA E TODA QUADRILHA DO PT. O RUIM SERÁ ARRANJAR LUGAR PARA TANTA GENTE CORRUPTA AO MESMO TEMPO.

    ResponderExcluir
  4. Lucilo Correia Araujo19 de abril de 2016 às 09:00

    Pssss.!!! Por favor, antes de sair, desejo lhe avisar que tem um Juiz - o Dr. Sérgio Moro que quer lhe entrevistar....

    ResponderExcluir

Caro leitor, seja educado em seu comentário. O Blog Opinião reserva-se o direito de não publicar comentários de conteúdo difamatório e ofensivo, como também os que contenham palavras de baixo calão. Solicitamos a gentileza de colocarem o nome e sobrenome mesmo quando escolherem a opção anônimo. Pedimos respeito pela opinião alheia, mesmo que não concordemos com tudo que se diz.
Agradecemos a sua participação!

NOSSOS LEITORES PELO MUNDO!