quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

AÍ CONFIRMA - SE A ZONA EM DEFINITIVO... POR LUIZ SAUL



Só para confirmar, o Brasil virou zona, com os cafetões e cafetinas reivindicando o espaço para garantir a féria respectiva. 

De carona na crise do momento – a dos massacres – o deputado Rogério Rosso (PSD-DF) reuniu alguns coleguinhas para ressuscitar a tese da criação do Ministério da Segurança Pública, muito menos pela segurança e muito mais para robustecer a candidatura à presidência da Câmara, que, aliás, já parece definida para Rodrigo Maia, com as bênçãos políticas do Planalto e jurídicas do Supremo.

Combatendo uma luta de aparência perdida, o Rosso mantém o discurso e a bandeira para garantir a mídia e o holofote e cacifar influência nas composições futuras. A sua ideia quanto ao novo ministério até que seria apropriada não fosse o oportunismo da ocasião em contraponto com o conceito de redução de despesas que vem sendo sugerido pela área da Economia. 

Isso, sem contar a singeleza da proposta, sem abordagem sobre o aparato de segurança hoje existente ou sobre os papéis do Ministério da Justiça, da Secretaria Nacional de Segurança, do Conselho Nacional de Justiça, do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária e de demais instituições que compõem a administração e a fiscalização do ambiente carcerário, inclusive quanto à aplicação da Lei de Execução Penal. 

Assim é fácil, e transparece sensação de iniciativa de conveniência eleitoreira incidental para implantar outro super cabide de empregos e de funções a serem fragmentadas no universo da burocracia nacional, além de favorecer o empurra-empurra da apuração de responsabilidades entre os órgãos. Ainda assim, com todos perdidos, o assunto produzirá inúmeras reuniões enquanto o tempo passará e outros detentos morrerão.

Como, no entanto, o foco do deputado e também do outro candidato Jovair Arantes é a eleição, que se dane o resto. Nenhum deles parece informado de que melhor seria propor revitalizar as penitenciárias e revigorar as condições de suas administrações, inclusive no estabelecimento de um novo tipo de relação disciplinar entre os chamados internos e destes com a sociedade, de forma a frustrar a filosofia das facções. E, para o fecho de ouro, combater a corrupção que tem encantado a corporação penitenciária fornecedora de drogas, armas, celulares e o que mais precisar. Mas, isso seria querer demais, pois não?

Bom, mas, ainda tem o Renan, né? Sempre tem o Renan. De olho, como se sabe, na presidência da Comissão de Constituição e Justiça ou da liderança do partido no Senado, quando deixar a presidência da Casa, consta que o coronel alagoano está vislumbrando outro alvo, nada menos do que o Ministério da Justiça do qual já foi titular.

Dizem que está mandando recados para Michel Rousseff a respeito do assunto. A sua investidura corresponderia a chefiar a Polícia Federal, valendo assim dizer que implodiria a Operação Lava Jato, da qual é cliente vip. Há também que diga que depois que “descobriu” o novo alvo já estaria esquentando a frigideira do atual falastrão ministro Alexandre de Moraes.

Resta sabe se o presidente herdeiro se dispõe a afrontar a sociedade e as instituições para investir no principal cargo da Justiça justamente um indivíduo que, além de réu, é também indiciado em mais 10 inquéritos.  Aí confirma-se a zona em definitivo.



Por: Luiz Saul Pereira
        Brasília - DF

5 comentários:

  1. Ricardo Pereira Lima11 de janeiro de 2017 19:26

    Esse cara é bom demais, engradece o editorial desse jornal

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  2. MARIA LÚCIA DA SILVA12 de janeiro de 2017 07:23

    O LUIZ SAUL PEREIRA É UM JORNALISTA DE MÃO CHEIA.ADMIRO MUITO SUAS POSTAGENS.

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  3. Ele é de Triunfo? Escreve bem...

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  4. acabei de repassar a amigos esse texto interessante

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  5. O Luiz Saul (Maninho de antigamente) realmente sabe das coisas. E sabe dize-las de forma escrita com maestria fluência verbal.
    Eu gostaria de acrescentar que no lugar de Ministério será preciso investir em presídios que funcionem, que reabilitem , que ocupem o tempo do apenado. A ociosidade dos presos está sendo utilizada pelas facções organizadas do crime, para o mal. Pensando no longo prazo, quando se investe em boas escolas para formar o cidadão, ainda na juventude, não haveria a necessidade de tantos presídios.

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