segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

REFLORESTAMENTO DA SERRA DO TRIUNFO - POR ANTÔNIO TIMÓTEO SOBRINHO







Assumo a pecha de saudosista, porem não a de retrógrado por viver no passado. Não faz mau nenhum lembrar o Sítio de Maria Timóteo ou de Luiz leitão ao redor do açude, onde não faltava goiabeiras, mangueiras, bananeira, jaqueiras e as azeitonas faziam lama; a meninada se deleitava sem risco de ser reclamado. O Sítio do Convento era uma riqueza de frutas, me lembro de ajudar ao Frei Cosme na colheita de abacates e mangas e bananas. O Sítio do Seu Manoel Florentino, ai no Cruzeiro, era uma abundância só, além das fruteiras o cafezal. A estrada do Sítio Retiro onde meu pai tinha engenho, era um pomar, não faltava goiabeiras, mangueiras, laranjeiras. Chovia com regularidade, não faltava água nem frio. Acontecia esporadicamente uma seca, mas as árvores não pereciam. O Sítio de Tio Terto e Madrinha Marica no Retiro era uma abundância, sempre que ali chegávamos tinha uma manga madura (espada ou rosa) ou uma pinha suculenta e muito doce. A água do açude era cristalina e fria, de tal modo que era possível ver os peixes na profundidade de cinquenta centímetro. Cresci e me mudei por um período, quando voltei Triunfo já não era aquele Triunfo. O calçamento mudou removendo as muitas árvores que sombreavam as ruas; os canaviais substituíram os pomares e cafezais; os córregos tornaram-se trilhas secas; o frio deu lugar a um calor perturbador do conforto. 

Os carros, caminhões e motos amontoados em fila dupla ao longo de toda a extensão das ruas principais. As calçadas descontinuadas interrompidas por rampas de acesso para os veículos entrarem nas garagens, ou, às vezes, por batentes altos e inacessíveis até para atletas. Apesar de todas as mazelas citadas, Triunfo é ainda diferente e se destaca nesse nosso Semiárido, continua sendo o “Oasis do Sertão”Poderia ser melhor. Dentre as obrigações diretas da administração pública municipal, visando à urbanização dos aglomerados humanos e o desenvolvimento civilizado da população, estão os serviços de educação fundamental, higiene e saúde, segurança, além do abastecimento de água e energia, o esgotamento sanitário, o tratamento de esgotos, o calçamento e a limpeza de logradouros públicos complementado com a coleta e tratamento dos resíduos sólidos.

É oportuno salientar o grande benefício proporcionado pela presença das árvores nas vias públicas, ainda que não constitua um segmento de primeira necessidade. A sombra proporcionada pelas árvores situadas nos logradouros públicos, neste clima tropical, principalmente no Semiárido, que predomina em mais do que 80% do território de Pernambuco, equivale a uma climatização artificial sem gasto adicional de energia. Um pavimento de paralelepípedo exposto à radiação solar direta, não raro, alcança temperaturas nas cercanias dos cinquenta graus Celsius e funciona como um espelho refletindo essa radiação (calor) em todas as direções. O embelezamento das ruas adornadas com vegetação (bem tratada) enche de graça uma cidade. Um efeito psicológico, se não místico, torna as pessoas rodeadas por vegetais – árvores ou arbustos – mais alegres e mais abertas à comunicação. 

Por outro lado, é preciso observar as inconveniências proporcionadas pelas árvores situadas nas vias públicas, em lugares impróprios, sem planejamento, por exemplo:

a) Calçadas quebradas por raízes superficiais;
b) Redes elétricas alcançadas por galhos;
c) Impedimento para o tráfego de caminhões com furgão ou cargas altas e ônibus;
d) Folhas caídas sobre a superfície, tanto constituem sujeira, como entopem galerias de drenagem;
                        
A conclusão é que, a arborização traz benefícios, contudo é preciso um planejamento para a sua execução, procurando-se tirar o máximo aproveitamento e evitar problemas futuros. Mais ainda, é preciso contemplar a arborização com ações permanentes posteriores ao plantio das árvores. Uma pequena equipe bem treinada e bem aparelhada, desde que bem motivada e cobrada, pode dar conta do serviço de regas, adubação, poda e remoção dos galhos suprimidos, de uma grande área arborizada.

A arborização de vias públicas (praças, ruas, avenidas, alamedas e mesmo rodovias) requer, em primeiro lugar, uma equipe técnica especializada; em continuidade, algumas equipes de apoio capazes de executar um projeto e de habilitar novas pessoas para a função. Um pequeno grupo de pessoas comprometidas atuando em cada cidade, apoiado e supervisionado devidamente, poderá operar a logística e dar continuidade à ação de manter devidamente a arborização instalada, assim alcançando como resultado a arborização de todas as cidades e vilas do Estado de Pernambuco.

 A arborização de áreas degradadas e não somente das vias urbanas encontram respaldo nos exemplos a seguir expostos, admirados e apoiados pelos grandes líderes mundiais.

1) A campanha promovida pela nativa WANGARI MAATHAI; prêmio Nobel da paz, 2004; para a restauração das florestas da vila onde sua tribo do povo Quicuio habitava no Quênia, é um exemplo a ser seguido por todos que habitam a região tropical do globo. A experiência está relatada no seu livro de memórias “Inabalável”, pela Editora Nova Fronteira, 2007.
A idealização do Movimento Cinturão Verde surgiu pela busca de soluções para o estado de degradação ambiental que o Quênia apresentava. A ideia de plantar árvores proveria madeira para as mulheres prepararem alimentos, material para construção de cercas e forragem para os rebanhos, sombra para os homens e animais, protegeria os lençóis freáticos, e firmaria o solo e se fossem frutíferas, produziriam alimento. Disse a premiada Wangari: “As árvores foram parte essencial da minha vida e me ensinaram muitas lições. Elas são símbolos vivos de paz e esperança. Uma árvore tem suas raízes no chão e, mesmo assim, se ergue para o céu. Ela nos diz que, para ter qualquer aspiração, precisamos estar bem assentados e que, por mais alto que possamos chegar, é de nossas raízes que tiramos nossa base de sustentação.” (p.347).

2)  Outro exemplo a ser seguido é o da restauração do ambiente degradado da fazenda de criação de gado no município de Aimorés - ES, berço do fotógrafo Sebastião Salgado. (Ver na Internet) O Instituto Terra é fruto da iniciativa do casal, Lélia Deluiz Wanick Salgado e Sebastião Salgado, que há pouco mais de uma década, diante de um cenário de degradação ambiental em que se encontrava a antiga fazenda de gado adquirida da família de Sebastião Salgado, na cidade mineira de Aimorés, tomou uma decisão: devolver à natureza o que décadas de degradação ambiental destruiu. Mobilizaram parceiros, captaram recursos e fundaram, em abril de 1998, a organização ambiental dedicada ao desenvolvimento sustentável do Vale do Rio Doce. Em pouco mais de uma década, o sonho do casal já rendeu muitos frutos. Por conta da atuação do Instituto Terra, mais de 7.000 hectares de áreas degradadas estão em processo de recuperação na região e mais de quatro milhões de mudas de espécies de Mata Atlântica já foram produzidas em seu viveiro para abastecer tanto os plantios na RPPN Fazenda Bulcão quanto os projetos de restauração que desenvolve na região. A antiga fazenda de gado, antes completamente degradada, hoje abriga uma floresta rica em diversidade de espécies da flora de Mata Atlântica. A experiência comprova que junto a recuperação do verde, nascentes voltam a jorrar e espécies da fauna brasileira, em risco de extinção, voltam a ter um refúgio seguro.



Prezado Carlos Ferraz,


Gostei do seu artigo veiculado no OPINIÃO, sobre arborização. Fineza veicular o texto anexado, apesar de longo. Se for mais prático divida em dois segmentos, mantendo a autoria. 


Por: Dr. Antônio Timóteo Sobrinho
        Engº Agrônomo/ (Pesquisador do IPA )



7 comentários:

  1. Maria do Socorro Florentino13 de fevereiro de 2017 18:30

    Estava sentindo a ausência do Dr. Antonio Timóteo Sobrinho com suas competentes publicações.

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  2. José Everaldo Vieira13 de fevereiro de 2017 21:13

    Gostaria que as postagens de matérias desse blog e dos demais tivessem essa qualidade de pensamento e de escrita bastante esclarecedora.

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  3. Sou uma triunfense amante dessa cidade e também da natureza!
    Maravilhosa a idéia em arborizar a cidade de Triunfo! Onde há árvores há água há vida e consequentemente os habitantes e turistas se beneficiarão com melhor qualidade de vida!
    Seria mto bom bom fazer um mutirâo de plantaçâo de árvores!!Com certeza essa prática fará muito bem às pessoas e sua auto estima e cuidados com à natureza!! Chamem as crianças e jovens que com certeza surtirá um bom resultado!! Sucesso na prática dessa idéia!
    Pode contar comigo!
    Uma pergunta ? Existe em Triunfo algum viveiro de plantas nativas da região ??

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  4. A criatividade demonstrada pelo editor deste blog Opinião é uma coisa admirável, todos dias lançando ideias novas e pertinentes.Gostei também da intervenção do colaborador acima que além de fazer uma narrativa saudosista demonstrando a sensibilidade que anda em falta, parece conhecer bem a região.

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  5. BASTANTE IMPORTANTE A INTERVENÇÃO MUITO SENSATA DO SENHOR ANTONIO TIMÓTEO SOBRINHO, EM RELAÇÃO AO REFLORESTAMENTO DAS SERRAS DE TRIUNFO QUE ESTÃO NA VERDADE SENDO ABERTAMENTE OCORRIDAS.PARABÉNS!

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