Descerebrados e egoístas, com o olhar apenas nos currais, os “representantes do povo” são capazes de ver, mas preferem ignorar o cenário internacional.
Isso porque, apesar da crise interna produzida pela corrupção endêmica de todas as ideologias, partidos ou o que for, os grandes investidores externos têm a percepção do funcionamento, capenga ou não, das instituições, e, por isso, mantêm a disposição de aplicar no Brasil alguma parcela de seus capitais na perspectiva de muitos futuros lucros.
Até os chineses que costumam ser ambíguos em proposições negociais parecem manter esse tipo de interesse. Objetivos e profissionais, falaram de financiar estrada ligando o Atlântico ao Pacífico para o escoamento da soja. Mas, como o USA cancelou o tratado Transpacífico, abriu as portas para a China aumentar a sua geo influência sem precisar gastar. Mataram o assunto. Mas, quando se tratou da exploração da matriz hidroelétrica pularam de cabeça com os seus chino-dólares.
Internamente, o chamado Mercado, talvez por estar mais perto ou no meio do desastre, além de conhecer de perto seus protagonistas, tem monitorado a política, sabendo que, sem reformas profundas em condições de reequilibrar a macroeconomia nacional e sem pacificar os ânimos na pescaria de novas e efetivas lideranças, a coisa vai continuar mal parada. Além disso, escaldado com as consequências do desmando, esse Mercado não esconde o temor pela eventualidade do retorno do Bhrama.
Repelida pela parte desinformada da sociedade incapaz de uma projeção de futuro, objetada pelo sindicalismo oportunista, e repudiada pelo imediatismo egoísta da maioria de agentes políticos ultrapassados que se rendem à pressão do funcionalismo público responsável pelo fator da desigualdade, a reforma da Previdência está dando os últimos suspiros na gestão Temer. Não tendo mais condição de ser implantada neste ano, por mínima que seja, não a terá também no próximo, que é o das eleições.
Esse tipo de obstáculo erguido pelo empenho de um grupelho de não perder votos e garantir a continuidade das benesses do poder e do foro privilegiado tende a gerar graves repercussões interna e externamente, além de seguir na trilha de futuramente inviabilizar justamente o objeto da disputa, que é a aposentadoria.
Por enquanto, resulta claro que a confiança daqui e de fora não está nos homens, mas na expectativa da fluência das instituições, o que parece justo, considerando os tipinhos que ora afirmam conduzir o país. Ainda assim, há um olhar de soslaio nas instituições, quando, por exemplo, a manutenção da liberdade de determinados empresários parece haver-se transformado em uma causa pessoal de um ministro. O leigo não compreende.
Apesar deste pessimismo, consta que, não por altruísmo patriótico, mas por manobra eleitoreira, o PMDB, que é especialista em terceira via de poder, qualquer que seja o governo, estaria acenando para apoiar a já inevitável candidatura do Geraldo Alckmin à Presidência, desde que o seu partido, o PSDB, contribua para a aprovação das reformas da Previdência e Tributária, dentre outras imposições. A verdade é que nesses dois partidos se realizam o côncavo e convexo.
Para salvar as aparências, no entanto, segue o me engana que eu gosto do PSDB falando de desembarque, mas apenas dos ministros que o representam; jamais dos cargos de segundo escalão, onde está uma boa força eleitoreira em seu favor.
A camada existente entre a terra e a atmosfera chama-se esgotosfera.
Por: Luiz Saul Pereira
BRASÍLIA - DF

Somos desafiados/as a descobrir os caminhos que nós como eleitores/as temos que seguir para mudar os rumos do nosso país. Assim não dá!!! TEMOS UM COMPROMISSO SÉRIO NESTE SENTIDO!
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