
Missa? Que missa?! O que se viu foi um showmício, ou showmíssia, em um evento originalmente programado para relembrar a memória da Marisa Letícia, que, no entanto, não foi citada pelo viúvo uma única vez em toda a sua peroração, nem sequer para justificar o subterfúgio escolhido para a continuidade da afronta ao aparato da representação da Justiça.
Inteligente e estrategista – predicados que não se lhe podem negar – manobrou inclusive a igreja católica, cujos representantes foram olimpicamente ignorados durante a “celebração” enquanto transitava pra lá e pra lá, com uma garrafinha talvez batizada na confraternização com os papagaios de pirata. Nem percebeu que a “solidariedade” da Manuela D’Ávila e do Boulos – que são candidatos à Presidência da República – constituiu, na verdade, tentativa de cooptação da herança dos votos do PT.
No fim das contas preso do mesmo jeito, não conseguiu insuflar o país, uma vez que as manifestações lá no sindicato e nas demais regiões foram proporcionalmente insignificantes se confrontadas com o antigo poderio de arregimentação do PT. Os ecos das manifestações em favor do condenado não poderiam ser mais prejudiciais uma vez que decorrentes de atos de vandalismos contra os patrimônios particular e público, além de agressões aos contrários.
Tudo isso associado às agressões à imprensa, justamente a principal responsável pela formação de opiniões, serviu principalmente para aprofundar os convencimentos de grupo apelidado de partido, mas assemelhado a uma organização criminosa.
Agora, uma vez quebrada a hegemonia da impunidade em que repousava o Barba, mas também toda a representação política da maioria absoluta dos partidos políticos brasileiros, resta alcançar os demais criminosos para o adequado cumprimento dos castigos.
Resta a todos rezar (os de lá e os de cá), uns para serem liberados pelas iniciativas libertárias de partes de nossas cortes aparentemente enfeitiçadas pelo instituto da impunidade; e outros, pela multiplicação da coragem de magistrados e de uma Polícia Federal e um Ministério Público carentes de pessoal, de ferramentas e de orçamento, para a continuidade da lavagem nacional.
Pessoalmente, não creio que o Lula fique muito tempo nas grades, pelo menos pelo processo do tríplex. Os outros processos afiguram-se mais perigosos, como por exemplo, o sítio que não lhe pertence e a compra da esquadrilha dos grippens.
A expectativa do momento ficará por conta do movimento da parte do STF que pretende impedir a prisão dos condenados em segunda instância, valendo lembrar que, dos 194 países do concerto jurídico internacional, o Brasil passaria a ser o único a permitir a regalia manter a regalia da liberdade para criminosos zombando das leis com recursos legais, mas imorais. Por isso, nós produzimos os Maluf da vida. Como explicar que os próprios ministros da corte suprema defendam isso?
Mas, o recolhimento aos costumes em face de condenação decorrente de prova provada parece bastante como constrangimento adequado e anúncio de que os tempos estão definitivamente mudados.
Aliás, cada vez que petista pedem a apresentação de provas parecem abstrair a realidade de que lavagem de dinheiro não tem prova material, mas circunstancial devidamente documentada. Como explicar isso para quem teima em esconder as culpas?
Não existe certificado de lavagem de dinheiro, mas somente contas em paraísos fiscais de origem não explicada.
Por: Luiz Sual Pereira
BRASÍLIA - DF


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