Tempos estranhos estes em que, além das guerras civis não declaradas, mas isoladamente deflagradas em alguns estados, surge a batalha dos abaixo assinados contrapondo, de um lado cerca de 5 mil magistrados entre juízes, procuradores e promotores patrocinando a confirmação da prisão dos condenados em segunda instância; e, do outro lado, também um abaixo assinado com cerca de 3 mil operadores do Direito, propugnando exatamente o contrário, ou seja, a liberdade até o trânsito em julgado.
Tempos perigosos estes em que inopinadamente a Ministra Presidente Carmem Lúcia, do STF, divulga manifesto institucional concitando ao respeito pelas diferenças de opinião, mas principalmente apelando para o exercício da serenidade, embora a serenidade seja sempre oportuna, independente de quem a estimule.
Tempos arriscados em que o Ministro Barroso, também do STF, denuncia a celebração de pacto oligárquico para saquear o país, formado entre as partes da classe política, junto com a da classe empresarial, associadas a burocracia estatal, embora isso já não constituísse segredo para ninguém. A questão é que ninguém de tais classe se apresenta para a contestação. E isso significa muito!
Tempos temerários em que as esperanças de razoável parte de uma sociedade desconfiada insistem em repousar nas decisões de magistratura de aparência insegura que muda os conceitos ao sabor de conveniências de ocasião, segundo o prestígio dos pacientes.
Tempos assustadores em que o horizonte das soluções corre em direção contrária, minguando os anseios do retorno a uma normalidade mínima, muitas vezes por irresponsáveis batalhas entre egos, impudicícia de representação e incúria de governança.
Tempos curiosos em que a atenção das torcidas se desloca das arquibancadas de todos os estádios para as galerias das cortes para a substituição do grito de gol pelo aplauso ou pela vaia das decisões.
Tempos furiosos em que o tiro a esmo é rebatizado como bala perdida na substituição do passaredo para a produção de vítimas.
Tempos de desamparo em que os hospitais atendem os enfermos por classificação de cotas.
Tempos permissivos em que o bandido e o mocinho caminham para um abraço de afogados.
Tempos liberais em que os condenados decidem como cumprir a pena.
Tempos de Brasil ...
Por: Luiz Saul Pereira
BRASÍLIA - DF


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