Quando acessei o Blog , e me deparei com foto da praça do quadro estampada em preto e branco, no seu estado físico original, do mesmo jeitinho que ela era na nossa época de criança e adolescente, por alguns momentos me pus a chorar tomado pela emoção ao lembrar de todos os momentos inesquecíveis que vivemos naquela época.
A imagem dessa praça despertou dentro de mim um vulcão de lembranças adormecidas que marcaram para sempre a minha infância e adolescência, de tal forma que, sinto-me tomado pelo desejo de relatar tudo, ou quase tudo, que me vem na lembrança neste momento.
Inicialmente gostaria de dizer que a beleza daquela praça de antigamente, deve-se ao fato de que, nenhum arquiteto aqui da terra a teria projetado, pois se assim tivesse acontecido, ela não seria tão bela o quanto foi até o final da sua existência, tudo nos leva a crer que ela tenha sido projetada pelo mesmo arquiteto que projetou o universo.
Não me lembro qual dos prefeitos da época, que iluminados pelo arquiteto do universo, serviu de instrumento da vossa obra e a construiu tal qual a sua vontade, e para que ninguém duvidasse da sua vontade, ela foi erguida defronte a casa de Deus, a Igreja matriz.
Durante muitas décadas desempenhou um papel fundamental na formação de toda juventude Triunfense, pois representava na vida de todas as crianças e adolescentes o único espaço público de lazer onde se poderia brincar usando os instrumentos que faziam parte do parque de diversões que lá existia.
Sua localização estratégica aliada à sua beleza arquitetônica, atraiam para si a realização de todas as festividades natalinas e outros tantos eventos públicos, tais como: comícios, shows e desfiles comemorativos a semana da pátria.
Como não lembrar das nove noites de festa ali comemoradas, cada noite representando um seguimento da sociedade Triunfense, regadas a queima de fogos e balões fabricados pelo Sr. Joaquim Fogueteiro, acompanhados pela majestosa Banda Izaías Lima tocando seus hinos natalinos, e também embelezadas pelas canoas, roda gigante e jujus do Sr. Domingos, que saudade daqueles tempos.
Não podemos deixar de lembrar da gastronomia espetacular que a todos atraiam, a exemplo do capilé com pão-doce de Onorina, as cocadas de coco de Aninha mocó, os pirulitos de dona Luiza, os doces de leite de dona Emília, os doces de coco e mamão de dona Pedrina, os doces de goiaba e de laranja da terra que só o Sr. Agamenon e dona Preta sabiam fazer e dominavam a tecnologia deste fabrico.
E para animar as noites de festa, no seu entorno existiam os salões de dança onde as pessoas iam dançar o forró na companhia dos seus namorados. Se não me falha a memória, existiam o Forró de Luís de Maroca, o forró na Banda Isaías Lima, o forró no Açougue, o forró no bar de Quinha, o forró no bar do Sr. Gonzaga Cacimba e o baile no Clube Municipal. É impossível não se lembrar do glaumor que era Triunfo nesta época.
A Praça 15 de Novembro foi testemunha de muitos acontecimentos e cúmplice de muitos segredos e avassaladoras paixões de toda a juventude Triunfense. Além do seu aspecto romântico exalava um perfume convidativo a encontros amorosos que culminavam na maioria das vezes no enlace matrimonial, mas também foi palco de muitas traições, estas mantidas em segredo mesmo diante dos olhos de Deus.
Durante o dia, as crianças e adolescente ao largarem das aulas, se deslocavam para a praça e formavam uma grande aglomeração em busca do lazer, jogavam pinhão, bola de gude (bila), castanha, tampa de garrafa, etc.
Se não bastassem todos estes atrativos, ainda existia a Sorveteria do Padre Luís Sampaio, irmão do Sr, Floro, onde todas as noites os adolescentes iam tomar sorvete e oferecer músicas para suas namoradas, muitos deles preferiam ficar no anonimato, mas também muitas revelações eram feitas. Os cantores mais solicitados na época eram Jerry Adriane, Wanderley Cardoso, Ronie Von, e a turma da jovem-guarda, não esquecendo Aguinaldo Timóteo e sua música, Os verdes Campos, Silvinho, Roberto Muller, Carlos Alberto, Nelson Gonçalves, Vicente Celestino, Orlando Dias, Núbia Lafayete, e tantos outros cantores românticos.
Durante muitos anos não havia energia elétrica em Triunfo, a energia era de gerador, e todas as noites às 22 hs as luzes se apagavam, nos obrigando a voltar para nossas casas, era um barato aquela situação.
No período da noite, a sociedade Triunfense comparecia em massa para ouvir música na difusora e tomar sorvete, esta rotina se repetia da segunda até o domingo, até quando aconteceu um fato inusitado, o delegado da época, o Sr. Pedro ao ouvir o lançamento da música Para Pedro, Pedro Para, achando que se tratava de uma provocação às medidas que ele tomava na época, resolveu quebrar literalmente todos os discos da difusora, mas também não durou muito tempo não, logo foi transferido de volta para o Recife, sendo este seu castigo por conta das arbitrariedades que ele cometia se prevalecendo da autoridade policial que lhe era inerente.
Era uma praça muito bem arborizada, decorada com vários tipos de vegetação, dentre as quais, existia vários pés de Mata-Fome, árvore frutífera que matava a fome de muitos adolescentes quando estavam brincando sob os seus galhos.
Não precisa ser nenhum poeta para escrever sobre a beleza daquela pracinha, basta apenas falar com a voz do coração, e deixar que os sentimentos retratem a verdadeira emoção que sentimos quando nos referimos a ela. Tenho certeza de que muitos gostariam de estarem neste momento dando seus depoimentos, e se não os fazem, com certeza corroboram com os meus.



Tenho acompanhado os constantes artigos que o Marcos Antonio Florentino Lima tem escrito e publicado neste jornal, são lembranças maravilhosas de um tempo que passou e deixou eternas saudades. Espero que continue assim para aliviar a dor da distância.Meus parabéns!
ResponderExcluirObrigado amiga conterrânea pelos helogios aos meus comentários, realmente procuro ser o mais autêntico possível quando falo da nossa terra, pois lá vivi os melhores momentos da minha vida, apesar das dificuldades da época.
ExcluirNão tem como não lembrar da nostalgia daqueles tempos, onde não existia nenhum tipo de maldade na cabeça da juventude, onde a única preocupação era curtir os prazeres que a natureza nos oferecia gratuitamente.
Vou continuar manifestando a satisfação que sinto em escrever sobre nossa terrinha, e espero estar sempre colaborando e contribuindo para que todos os triunfenses ausentes possam matar a saudade dos tempos que alí passaram.
De fato, o relato do amigo Marcos nos traz ótimas lembranças. Gostaria, apenas, de trazer aqui uma observação: Quem fazia os balões não era o Sr. Joaquim Fogueteiro, mas o Sr. Luiz Bezerra de Vasconcelos. Disso eu tenho certeza, porque ajudei a fazer muitos. Afinal, era meu pai.
ResponderExcluir,Minha amiga de infância Joselaide Vasconcelos, fiz este relato com a mais pura das intenções, em momento algum, passou pela minha cabeça omitir nomes de pessoas tão queridas por mim e por toda sociedade Triunfense.
ResponderExcluirO Sr. Luiz Bezerra não era apenas um homem de carne e osso, ao contrário, acho que era um anjo de luz que passou aqui pela terra com uma missão tão importante, e mesmo cumprindo-a com muita maestria, de tão humilde que era passava despercebido, acho que por este motivo, não tomei conhecimento de que os balões eram frutos da sua obra.
A beleza e perfeição daqueles balões que embelezavam os céus Triunfenses, só poderiam ser confeccionados por uma pessoa iluminada e que através da sua obra fazia reluzir no espaço um brilho que era só seu.
Todas as homenagens feitas em memória do casal Bezerra Vasconcelos, representarão o reconhecimento de toda a sociedade Triunfense da importância do legado por eles deixado
Perdoe-me por ter cometido esta garf, mas em tempo faço a devida correção.