– Há a concorrência leal e a desleal. Quem nunca se deparou (na vida real ou na ficção) com aquele indivíduo que passa por cima de tudo e de todos para subir na empresa, para ter um lugar de destaque, para ter poder? Em contrapartida, felizmente, existem aqueles que, mesmo sendo concorrentes, se ajudam mutuamente, e a ascensão funcional passa a ser uma decorrência natural e merecida do esforço de cada um. Não se vê, nesse caso, ressentimentos, e sim felicitações e alegrias pelo sucesso do outro. Existe, portanto, uma empatia sincera. Observamos muito esse tipo de atitude entre atletas, em que eles se enfrentam com lealdade e, ao final da competição esportiva, se congratulam, como se a vitória do oponente fosse a sua própria vitória.
Mas por que o doutor Saraiva falava isso aos seus alunos? Porque um professor esquerdista tentara incutir na cabeça dos jovens que o Papa Francisco era marxista, considerando o discurso constante da Primeira Exortação Apostólica, recentemente divulgada pela mídia; sobretudo, tomando por base a parte em que o papa lança alguns desafios para o mundo contemporâneo (parágrafos 52 a 60).
Ora, longe disso! Nesse documento o que o papa condena é o capitalismo selvagem, a avareza, e não o capitalismo saudável, que gera riqueza e bem-estar para a humanidade (este, fazendo-se uma analogia ao plano dos indivíduos, se assemelha a concorrência leal). O papa está correto em seu discurso! Seria até um contrassenso discursar algo diferente disso, pois a avareza (nas suas duas tendências: filargíria e pleonexia) é um dos sete pecados capitais, uma doença espiritual, por assim dizer. Ou seja, na exortação apostólica não há nada de novo, e sim coerência com a doutrina seguida pela igreja católica desde os tempos remotos.
É importante ressaltar que, hoje em dia, há uma forte preocupação dos capitalistas com o bem-estar do ser humano, com a preservação do meio ambiente, com a melhoria dos aspectos sociais, dentre outras coisas. Basta notar, por exemplo, as doações efetuadas por Bill Gates e o patamar remuneratório dos americanos – isso só para citar o país capitalista alvo preferido de ataques dos marxistas –; ou seja, o que quero enfatizar é que, no mundo moderno, não há mais espaço para o capitalismo selvagem – todos nós sabemos disso!
Muito diferente, porém, do que lamentavelmente ocorre nos países socialistas. Para se constatar, ou, pelo menos, para se ter uma ideia de como é a vida por lá, basta comparar a remuneração e as condições de trabalho e de vida de um cidadão chinês com as de um cidadão americano. Não vou nem citar Cuba como parâmetro socialista, porque já ficou demonstrado, no programa “Mais Médicos”, como a banda toca naquela ditadura castrense.
Mas, para a tristeza dos governantes socialistas bolivarianos, o papa não deixou dúvida de que a igreja católica é totalmente contrária à legalização do aborto. Pregar a caridade e as doutrinas do catolicismo é bem diferente de compactuar com uma ideologia nefasta que matou milhões de pessoas. Eu diria que o marxismo é como um produto com uma embalagem atraente, mas que não é consumido; no entanto, quem consegue enxergar o engodo que há no seu interior não o compra de novo. É por isso que, atraída pela aparência, a maioria das pessoas já foi marxista algum dia na vida.
Portanto, feitas essas considerações, não há como levar a sério a ideia de que o papa seja marxista ou seja a favor da teologia da libertação; pois, acrescente-se: enquanto o capitalismo produz, o marxismo prega a destruição, principalmente dos valores morais, da família, da religião, enfim, dos pilares do mundo ocidental.
Há, sim, como levar a sério! – contestou-me o doutor Saraiva, mal eu terminava de falar – o papa será marxista, porque essa mentira será repetida mil vezes pela esquerda que se tornara verdade perante a opinião pública.
É, tenho que concordar com o mestre!



Onde se lê "castrence", leia-se "castrense".
ResponderExcluir