sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

NA ALEPE, ALUÍSIO LESSA REGISTRA O CENTENÁRIO DE ZÉ DANTAS

Repercutindo muito bem a homenagem que o deputado Aluisio Lessa (PSB) fez nesta semana ao compositor Zé Dantas, responsável por muitos sucessos de Luiz Gonzaga, que estaria completando 100 anos amanhã (27). Na sua fala em sessão da Alepe, o parlamentar ressalta história de vida e a importância de Zé Dantas para a cultura nordestina


José de Sousa Dantas Filho, compositor e poeta, nasceu no município pernambucano de Carnaiba (27/2/1921) e faleceu no Rio de Janeiro (RJ) (11/3/1962). Em 1947, conheceu Luiz Gonzaga, de quem se tornou um dos principais parceiros musicais, ao lado do também compositor Humberto Teixeira. Três anos depois, em 1950, Luiz Gonzaga gravou algumas de suas composições, como Vem, Morena, A Dança da Moda, o xote Cintura Fina, entre outros dando inicio a uma das parceiras musicais mais exitosas da música brasileira.

Confira a homenagem na integra:

"Viva Zé Dantas, imortal, imortal!

Senhoras deputadas e senhores deputados, importante para a Casa de Joaquim Nabuco poder reverenciar o centenário do grande filho de Carnaiba Zé Dantas. Ze Dantas e imortal.

Sob pressão familiar, migrou para o Recife ainda jovem. Aos 17 anos. Com uma meta estabelecida: ser médico. "Virar um doutor", como ainda se costuma dizer pelas bandas das cidades do interior do Estado. Aluno aplicado, concluiu o ensino médio e se formou em medicina.


Fez carreira no Rio de Janeiro no exercicio da profissão. Médico residente obstreta e depois diretor do Hospital dos Servidores. Foi casado com a também pernambucana Yolanda Dantas. Teve três filhos. Morreu em 1961. Seu principal legado: a poesia, a música a cultura nordestina


Carnaiba integra o cinturão do Sertão do Pajeú, região que historicamente tem três caracteristicas no seu DNA. O Rio Pajeu, a polarização politica entre forças progressistas e setores conservadores e a cultura da poesia popular.

E foi nesse ambiente que Zé Dantas, um dos compositores mais geniais da Música Popular Brasileira nasceu e se formou.

Conheceu Luiz Gonzaga pessoalmente aos 26 anos, no Recife. Escreveu composições antológicas, Que não as assinava, a seu próprio pedido, temendo represálias de seus pais.

A juventude consagrou autores como Geraldo Vandré, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, entre tantos outros, nas chamadas composições de protesto, no final da década 60.

"Mas doutô uma esmola a um homem qui é são, ou the mata de vergonha ou vicia o cidadão", versos de Vozes da Seca, Zé Dantas denuncia a injusta e criminosa desigualdade regional contra o Nordeste. Na década de 50. Ou seja, cerca de 10 anos antes.

No próximo dia 27 de fevereiro de 2021 Zé Dantas faria 100 anos se vivo fosse. Infelizmente, para todos nós, a Pandemia não permite uma comemoração com muito forró, em Carnaiba, como havia pensado e programado o prefeito Anchieta Patriota.

Mas Zé Dantas estará vivo em nossos corações e mentes para a eternidade. Ele é Imortal como um bem cultural e imaterial do Nordeste do Brasil

E se refletirmos sobre sua história de vida que o destino Ihe impos decidir entre ser reconhecido como um doutor ou um poeta popular, fica a lição de que nada vale estar acima dos nossos sonhos.

Viva Zédantas, imortal, imortal!"

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