
Nos ecos das quase educadas turbas nas ruas, a dilma ensaiou timidamente olhar com os ouvidos para os acontecimentos externos à sua toca. Primeiro, mandou a campo a equipe do abre alas, representada pelos atrapalhados ministros e outros emissários, cada um apontando em uma direção. Pareciam sapadores avaliando a terra arrasada em tempos de guerra.
Em seguida, a mandatária foi a campo usando o estilo de sempre. Pra quem observa não deve passar despercebido que a presidente usa os microfones fazendo perguntas e dando respostas ao mesmo tempo. Parece um gênero, um hábito de quem só fala consigo próprio, ou só ouve a si mesma.
De forma extremamente remota falou de uma possibilidade de haver errado a mão e cometido pequenos excessos em medidas governamentais, não os nomeando. É pouco, mas um começo. Não pediu desculpas, porque possivelmente imagina que a fragilizaria. Falou de diálogo sempre sugerindo que o outro lado não se interessa pelo assunto. Vale dizer, não aceita que ela foi a parte que se enfurnou, desapareceu, escondeu-se nos últimos tempos.
Conquanto mantenha a postura imperial, é incontestável a sua debilidade política, uma vez que, acuada, vê-se na iminência de promover uma reformulação ministerial tão cedo, para expurgar algumas incompetências e também para abrigar a avidez de partidos tidos como aliados. Chegou a falar de humildade sem convencer a plateia, porque este é um sentimento distante no Planalto.
Por fim, para contestar o Eduardo Cunha, e com ele manter a beligerância, classificou acertadamente a corrupção como uma vecchia signora, e com isso pretender repudiar a afirmação do deputado de que a dita corrupção está no Executivo e não no Legislativo. Só acertou na longevidade da senhora.
Depois de sancionar o Código Civil que dormitava há anos nas gavetas (e não por culpa dela), ameaçou encaminhar ao Congresso a reforma política e a Lei Anticorrupção. É de se esperar que o novo instrumental legal, se acontecer, contenha conteúdo bastante para refrear os crimes que reduzem a pó a moral e as instituições nacionais. Pelo histórico, no Brasil, esse tipo de intenção não merece crédito enquanto não se confirma.
Com a altivez política perdida, e definitivamente refém dos “aliados”, talvez lhe reste voltar a socorrer-se dos conselhos do patrono Lula para a nova travessia, valendo notar, no entanto, que essas relações com o inventor provavelmente já não remanescem tão sólidas, em face da ingratidão e uma pretensa independência que a presidente vinha ensaiando.
The love is broken.
Muito boas as crônicas do senhor Luiz Saul. kkkk
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