segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

QUEM PROVOCOU O DESARRANJO NACIONAL? - POR LUIZ SAUL

Apesar de serem percebidos como estrovengas incapazes de produzirem um benefício mínimo ao desenvolvimento do país ou à formação de uma consciência nacional em condições de orientar o pensamento político, os partidos brasileiros continuam sugando os cofres públicos, ora pela via oficial do Fundo Partidário, ora por outras benesses paralelas, subjacentes, sem contar os descaminhos que a fragilidade República enseja. Não é sem motivo que essas legendas continuam brotando com os nomes mais esquisitos, com um conteúdo programático incombinável com os comportamentos dos membros, e principalmente sem a confirmação da missão.

O apetite das legendas, antigas e novas, parece concentrar-se no tilintar da subdivisão do Fundo, e nos espaços radiofônicos e televisivos da excrescência dos programas eleitorais gratuitos, principalmente nos anos eleitorais. Instrumentos de velhacaria, alguns transformam-se em barriga de aluguel da patifaria profissional para a gestação de projetos pessoais ou de grupelhos, em muitos casos vazios ou inconciliáveis com a ideia de estimulação do progresso.

Não será demais lembrar a sigla PRN Partido da Reconstrução Nacional, que teve o Fernando Collor de Mello, o Breve, como mentor, e que foi usado para levar o pensador alagoano à Presidência da República com os resultados conhecidos. Depois disso, nada mais aconteceu com a legenda, lembrando que não houve nenhuma reconstrução, como anunciava o nome do partido, mas apenas um entesouramento proveniente de corrupção sistêmica capitaneada pelo seu staff. Produziu a sofisticação da universidade da corrupção, como se prova atualmente. 

Em que pese o exemplo e também insignificância de tantas siglas, o Brasil conta, no momento, com 35 partidos, e mais 15 em fase de coleta de assinaturas para se estabelecer.

É claro que faz parte do jogo democrático essa coisa de ir e vir, de se agrupar, de associar, etc., ainda mais quando se percebe que qualquer legenda, sobre beneficiar os organizadores, pode conquistar os incautos, a massa de manobra, a bucha de canhão. Mas, seria preciso um mínimo de bom senso, ou de uma fiscalização que intimasse esses partidos a dizerem a que vieram. 


No ano de 2015, o Fundo Partidário que até então girava em torno de R$300 e tantos milhões, foi elevado para algo acima de R$869 milhões, mercê da benemerência da dilma, usando o bolso do contribuinte. Agora, em 2016, o valor praticamente está-se repetindo (R$ 819 milhões), significando que nos últimos 2 anos da profunda crise nacional, o Tesouro está sendo desfalcado em aproximadamente R$ 1,7 bilhão – quando o país está vivendo talvez a maior crise financeira da História – para ser distribuído entre esses partidos e usado sem contraprestração, sem garantia ou mesmo prenúncio de sua seriedade e eventual reorganização do pensamento.

Nesse aspecto do saco de bondade presidencial para afagar os partidos está em evidência o projeto da reinstituição do CPMF, com cuja aprovação a madama conta tanto que já incluiu a “Contribuição” na LDO 2016, ainda que a peça não haja sido votada. E ela certamente não faria isso (ou faria?) se não houvesse alinhavado os entendimentos no balcão do botequim nacional também chamado de Congresso. 

Aliás, enganar-se-á quem pensar que o limite fiscal da presidente é a conquista da aprovação da CPMF. Basta notar que, em conversa com os jornalistas que cobrem o Palácio do Planalto a comandanta informou que é preciso aumentar os impostos para reequilibrar as contas do Governo. Ela somente não fala sobre quem provocou esse desarranjo nacional.

 Por: Luiz Saul Pereira 
         Brasília - DF

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Caro leitor, seja educado em seu comentário. O Blog Opinião reserva-se o direito de não publicar comentários de conteúdo difamatório e ofensivo, como também os que contenham palavras de baixo calão. Solicitamos a gentileza de colocarem o nome e sobrenome mesmo quando escolherem a opção anônimo. Pedimos respeito pela opinião alheia, mesmo que não concordemos com tudo que se diz.
Agradecemos a sua participação!

NOSSOS LEITORES PELO MUNDO!