quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

A CRISE ESTÁ INSTALADA ENTRE OS PODERES DA REPÚBLICA - POR LUIZ SAUL




Crise que se preza é a aquela que contamina, ofende as regras e causa perplexidade.
O momento Renan já produziu tudo isso, e, mais ainda, acendeu um estopim dentro do Supremo, aonde se diz que o Ministro Gilmar Mendes teria aventado o afastamento seu colega Marco Aurélio, responsável pela retirada do Renan da Presidência. É como se uma decisão solitária de um ministro jamais houvesse acontecido. A Corte está em guerra interna. 

Aí, a Mesa Diretora do Senado, devidamente servil ao interna corporis e a outras conveniências, preteriu a Constituição, optando por entendimento canhestro de recusar a medida liminar prolatada pelo Ministro, enquanto o plenário da Corte não se manifestasse. Quem viu o case Eduardo Cunha há de lembrar que o procedimento de obstrução e de procrastinação daquele político determinou não somente o seu afastamento da Presidência da Câmara, mas também a suspensão do mandato. Esta é a analogia.

Tais acontecimentos têm o desencanto de encurralar o Supremo que talvez não possa mais recuar sob pena de sucumbir às manobras do outro poder na proteção corporativista da tropa de choque do político alagoano, e, com isso, reduzir o tamanho moral da Corte perante a sociedade, e também frente aos “inimigos”. Em tese, portanto, é possível imaginar que os magistrados confirmem a decisão monocrática, mas constitucional, de afastamento do senador que em momento de irreflexão apostou todas as fichas no preto 17 e deu vermelho 27. 

Até que, por cautela e senso de oportunidade em razão da crise instalada, se pode discutir a conveniência da medida liminar exarada pelo Ministro, mas, não há como questionar a sua constitucionalidade cujo desmerecimento implica, por hipótese, obstrução. 

Esse choque dos poderes sob o olhar assustado do Executivo (vale dizer, Michel, o fraco) desnuda o terror que se está estabelecendo na sociedade atônita ante o desmoronamento das instituições nacionais, dando fundamento a vozes oportunistas que pleiteiam soluções ortodoxas e distante de uma normalidade democrática, como já aconteceu.

A pequena compensação em meio ao caos estabelecido é que, afortunadamente, alguns políticos de tradição aguerrida parecem ter boa percepção da crise, evitando jogar etanol na fogueira. Não é o caso, é claro, da tropa de choque da dilma (Jandirão, Lindberg, Grazziotin, Gleisi, Fátima – é górpi). Mas, o próprio Jorge Viana, petista e herdeiro virtual da cadeira de presidente, tem-se mantido em postura de sobriedade, inclusive mediando entendimentos do Senado e do STF, ainda que não se saiba qual seria a sua postura em relação às votações, se presidente. Também o senador Humberto Costa, sem fugir dos seus convencimentos, tem-se mantido sóbrio neste momento.

Já o lado conflituoso do Congresso, despreocupado de transformar o Brasil em um país kamikaze, luta para elastecer os prazos das votações e talvez inviabilizá-las em tempo útil. Esse tempo útil se reflete nos comportamentos dos investidores internacionais, que, diante da desarrumação nacional, já cogitam de retirar os seus investimentos e os transferir para economias confiáveis.
 
Nessa linha de despreocupação com o país está o próprio Renan, em cuja destemperança aliada a vaidade e a desespero se recolhe o apego a uma carreira política que parece finda. 

É dessa forma que, com as instituições em ruína, a população quebrantada e sem energia assiste ao desmantelamento dos estados e das cidades dominadas pela abjeção bandoleira, e também o encarceramento das lideranças de mentirinha.

Vide os exemplos de Osasco, Rio de Janeiro, Ribeirão Preto, Belo Horizonte, Porto Alegre, Campo Grande, Campos dos Goytacazes, e vide principalmente Brasília, tanto como Estado quanto como sede do Governo Federal. E, depois, vide os “administradores” dessas praças.


Por: Luiz Saul Pereira
        Brasília - DF

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