terça-feira, 31 de janeiro de 2017

BRASIL PRECISA DE MAIS EIKES? LUMINAR! - POR LUIZ SAUL


Difícil imaginar o preço dos entendimentos para pactuar a repatriação voluntária do Eike Baptista. Se estivesse em território nacional não haveria negociação, apenas prisão. Estando fora, estabeleceu os parâmetros para o retorno, negociando o tipo de cadeia, já que não tem curso superior, e correndo para ser o primeiro da fila da delação. Desconfia-se que, para a construção dessa estratégia, pode haver contado com vazamento da sua prisão, o que não se afigura impossível. 

A primeira consequência do retorno do Eike será seguramente o desfazimento das até então indissolúveis amizades que cultivava com parcela da alta cúpula da política nacional e com razoável parte do empresariado que andou vadiando nas cercanias de sua influência. Aliás, esse sintoma de cizânia é próprio da busca da autopreservação com ou sem ética. Já está acontecendo também na família Odebrecht, onde as relações do Emílio (pai) com o Marcelo (filho) parecem haver-se deteriorado, segundo as más línguas.

Depois da sua brava resistência à delação que seu pai aconselhou desde o início do processo, o Marcelo, além de sucumbir e levar consigo todos os altos executivos da empresa à cantata, sente-se agora na condição de injustiçado e de bode expiatório do próprio pai que o teria delatado. Dizem que, para preservar o que resta da sua empresa, o pai mandou às favas a relação familiar. Mas, todos são igualmente criminosos.

No caso do Eike, nunca como agora os seus antigos amigos torceram para uma fuga para a Alemanha, ou, em última instância, por mais macabro que possa parecer, por uma queda de avião. Todos compreendem o potencial destrutivo das informações que acumulou na rolagem de suas relações com os agentes públicos e privados, quando era considerado uma espécie de deus do empreendedorismo, ainda que os seus negócios não passassem de miragens, como agora se comprova. 

O seu retorno voluntário e seguramente negociado dificilmente representará um heroísmo para testemunhar em favor dos “amigos” até porque ele não ostenta cor partidária ou sabor ideológico. Também não é um Zé Dirceu ou um Vaccari, com cujo mutismo estão imolando suas liberdades em favor de um projeto criminoso em ruína.

Olhando para os medos de cada um, fica a impressão de que um de seus amigos íntimos, o Sérgio Cabral, já está no caldeirão com óleo fervente e que a eventual delação do Eike envolvendo o seu nome seria apenas mais um detalhe. O Cabral nem tem mais o que entregar porque todos já sabem de tudo.

O mesmo não ocorre em relação a muitos dos demais decaídos da República, useiros e vezeiros em sorrisos, abraços, drinks e deferências mis, entre um e outro jatinho, devidamente fotografados para enriquecer as colunas sociais e políticas, na melhor demonstração de prestígio com o empresário citado. 

O pânico de cada qual começa a fazer sentido quando se ouve a entrevista dada pelo Eike na sala de embarque do JFK e o moço afirmou contrito que a Lava Jato é sensacional e que dará a sua contribuição para passar o Brasil a limpo. Pode ser que haja sido uma conversão, mas pode também ter sido uma senha para a força tarefa de que está pronto para a delação.
Se os caras pudessem, deletariam manifestações do tipo “o Brasil precisa de mais Eikes”, ou “o Eike é o orgulho do Brasil”. 

Mas, não dá. É igual àquela frase erudita da dilma quando afirmou que quando a pasta de dente sai, não volta para o tubo. Luminar!


Por: Luiz Saul Petreira
         Brasília- DF

Um comentário:

  1. Everaldo José Vieira1 de fevereiro de 2017 06:10

    Continuo acompanhando e curtindo as publicações divertidas, mas também sensatas do senhor Luiz Pereira Saul.

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