terça-feira, 18 de abril de 2017

UM PRESIDENTE, PERFORMATICO "EQUILIBRISTA" - POR LUIZ SAUL




Entre cafés, brunchies, almoços, jantares e a macróbia estratégia da permuta de apoios aos seus projetos de reformas pela concessão de emendas parlamentares e de nomeações para as vagas ainda existentes no segundo escalão do empreguismo nacional, o presidente herdeiro parece confirmar que também não se sensibiliza com o curso dos acontecimentos e das apurações criminais de agora, e menos ainda com a censura ao toma-lá-dá-cá que a sociedade comina à representação política do país. 

Pode, quem sabe, estar raciocinando com o conceito de “em terra de sapos de cócoras com eles”, para se instalar em pé de igualdade com o fisiologismo nodoso que deformou os pilares das relações do objeto público – interpretado pela representação política que se apoderou das instituições – com a coisa privada, expressada por uma sociedade especializada no cometimento dos mesmos erros. 

Ele também compreende certamente que os crocodilos, como o Emílio (o Odebrecht pai) designou os agentes políticos que orbitam a máquina governamental há tantos anos, continuam soltos com as bocarras abertas e prontos para novas negociações, se não para salvarem as cabeças e comprarem uma vaga em eventual lista fechada, mas também para manter resquício de poder, se alcançados pelo Moro, ou pela modorra do STF. Muitos se imaginam sendo uma versão menor do Eduardo Cunha que, apesar de preso, ainda mandou alguma coisa. 

Vai daí então que o presidente se vem transformando em um performático equilibrista para transitar entre as ambições de membros da sua base “aliada” e a estrada para percorrer o seu projeto de fazer história, e um dia ser lembrado como Temer, o Reformador. Na altura, além da Marcela querubim, este parece ser o único anseio do presidente, sendo que, se a amada pode estar a mão, a Reforma pode se distanciar na imprecisão das negociatas e/ou pela irresponsabilidade dos parceiros. 

Tem recusado a classificação do verbo recuar nas flexibilizações adotadas acerca da Reforma Previdenciária, e nisso tem razão, porque o projeto não é um trilho, mas uma trilha que entre trancos e barrancos poderá salvar o futuro das aposentadorias de tantos nativos. Por isso é que, imaginando inicialmente uma economia (ou uma redução de desencaixe) de R$800 bilhões em 10 anos, as suas admissões de transigências reduzem a projeção para R$600 bilhões no mesmo período, e será um ganho. 

Tudo termina muito complicado para um presidente que, vestido em saia justíssima por estar, ele próprio, incluído em uma delação de crime que, verdadeira ou não, sugere a sua inviabilização, se em um país sério, mas, também pelo enquadramento de 8 dos seus muitos ministros na mesma denúncia. Ainda assim busca forças para o enfrentamento, aqui e ali produzindo ato falho de aparência calculada quando sugere que algum ministro pode se sentir desconfortável pelo envolvimento na denúncia e pedir para sair. O recado é perfeito de quem joga alguns alguéns ao mar, esperando um vestir de carapuça, enquanto procura ficar bem com o distinto público.

Enquanto tudo isso acontece, os nossos bolsos continuarão pagando a conta dos regabofes. Mas, bem que eles todos podiam repensar a continuidade das práticas irregulares das trocas de favores e influências para mostrar à Força Tarefa e à sociedade que estão assimilando a lição.



Por: Luiz Saul Pereira
        Brasília - DF

2 comentários:

  1. Américo Nogueira18 de abril de 2017 21:09

    A suas explanações são realmente sensacionais senhor Luiz Saul.

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  2. Faço toda questão de frisar que são fanzoca das publicações do articulista Luiz Saul Pereira, grande reforço editorial para esse jornal

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