sexta-feira, 29 de setembro de 2017

PROVAR DO PRÓPRIO VENENO ...POR LUIZ SAUL

Resultado de imagem para DELCIDIO X AECIO

O ex-senador Delcídio do Amaral, que foi cassado com o voto favorável do Aécio Neves, deve estar vendo o seu antigo par provando do próprio veneno, ainda que em circunstâncias diferentes do que ocorreu consigo. E, de fato, o seu afastamento deu-se sem dó, piedade ou resquícios de solidariedade da maioria e também do seu então partido, o PT, todos parecendo quererem livrar-se daquele corpo que se tornou estranho na oportunidade.
A execração do Aécio, no entanto, vem seguida da explosiva capacidade de dinamitar as pontes já fragilizadas entre o Legislativo (leia-se Senado Federal) e Judiciário (leia-se STF). A circunstância de o seu afastamento, determinado pela Suprema Corte, vir seguida do recolhimento noturno, da proibição de contatos com investigados e da proibição de ausentar-se do país, despertou reflexões nos demais senadores que vão desde do efeito Orloff (“eu sou você amanhã”) quanto à rejeição do que consideram intervenção indevida do Supremo. São tantos os parlamentares indiciados em crimes correlatos que a “solidariedade” passa a fazer enorme sentido.
Por motivos circunstanciais que não representam qualquer convicção de inocência, a maioria dos partidos está promovendo associações bizarras, como, por exemplo, PT/PSDB/nanicos da esquerda – compostas por muitos adversários históricos do Aécio –, com o objetivo da desobediência aos mandados da Suprema Corte no caso particular.
Ao que se sabe, movido por tais motivações, o senado já teria decidido confrontar o STF, não apenas em relação à liberdade da ida e da vinda, mas também contra o afastamento do seu componente. Mas, não se trata de defesa da constitucionalidade. É puro corporativismo misturado com paúra.
Por outro lado, outros aspectos da natureza especialmente estratégica da bandalheira têm alimentado a movimentação do Planalto, já às voltas com tantas ameaças, denúncias, possibilidades de desmonte do gabinete, e temeroso da perda de talvez o seu mais importante interlocutor que, apesar de licenciado da presidência do PSDB, continua atuando como tal e ainda com o poder de influência em alguma parcela partidária.
Não se sabe ao certo, mas, talvez admitindo remotamente a possibilidade de o Supremo haja avançado sobre a linha da prudência nesse julgamento, e talvez também relembrando casos recentes de enfrentamento, como foi o caso da tentativa de afastamento do também senador Renan Calheiros, a Ministra Presidente do STF, Carmem Lúcia, parece que vem conversando com o presidente do Senado, Eunício Oliveira, quem sabe para minimizar a crise e nela colocar panos quentes. Isso porque a repetição da desobediência que já se anuncia desnudará o que resta de respeito entre os poderes.
No âmbito da Corte, que, apesar da desejável difusão das tendências não deveria ser o saco de gatos atual que abriga inimizades pessoais, parece que o golpe está sendo sentido, conforme a manifestação do Ministro Marco Aurélio reconhecendo a grave crise institucional, mas, calejado com as brasileiradas da política tupiniquim, afirma que será superada.
Afora isso e apesar disso, a situação do Aécio conta também com requintes de crueldade, tal qual aconteceu com o Delcidio do Amaral. O presidente em exercício do PSDB, senador Tasso Jereissati, e a ala constrangida do partido têm torcido o nariz para a manutenção do mineiro como presidente licenciado da legenda, até porque, em um país sério e entre homens éticos seria correto que tivesse a grandeza de se afastar voluntaria e definitivamente da função.
É certo que a sua carreira se encontra nos estertores, com o prestígio reduzido a substrato no seu Estado ou em qualquer outro, na medida em que trocou a suposta herança do avô Tancredo e o projeto de uma carreira política promissora que chegou a inaugurar pelo intricado mundo da dissimulação, da mentira, da obtenção de vantagens indevidas e de outros crimes.


Por: Luiz Saul Pereira
        BRASÍLIA - DF
  


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Caro leitor, seja educado em seu comentário. O Blog Opinião reserva-se o direito de não publicar comentários de conteúdo difamatório e ofensivo, como também os que contenham palavras de baixo calão. Solicitamos a gentileza de colocarem o nome e sobrenome mesmo quando escolherem a opção anônimo. Pedimos respeito pela opinião alheia, mesmo que não concordemos com tudo que se diz.
Agradecemos a sua participação!

NOSSOS LEITORES PELO MUNDO!