

Não é raro ouvir brasileiros de qualquer idade manifestarem repulsa aos agentes públicos e desinteresse pela atividade política. É certo que as más práticas políticas em que se acostumaram muitos dos chamados representantes do povo se, em tese, podem justificar o repúdio, não deveriam legitimar o distanciamento do assunto, na medida em que esse tipo de alheamento favorece a libertinagem.
Além disso, é possível que o desinteresse por informações sobre questões cruciais que afetam a vida de cada qual termine por sujeitar o cidadão às emboscadas dos pensamentos de oportunidade que, em geral, veda ao indivíduo a capacidade da adequada avaliação, ensejando o fácil embarque nos efeitos manada para a formação das massas de manobra.
Em interpretação mais severa, fica a impressão de que esse tipo de indiferença pode haver sido (e continua sendo) o escancarar do portal para a aceitação tácita do cometimento dos crimes secularmente casados com a impunidade e que só recentemente apresenta sinais de reversão, por força do surgimento de empenhos relativamente isolados de inesperados campeões da Justiça.
Ocorre que, apesar desses exemplares de heroísmo judiciais e cívicos, resta muito a contaminar toda a magistratura nacional, assim como todo o aparato de repressão à criminalidade, mormente em um país continental no qual em tantas localidades ainda viceja o compadrio entre a delinquência e a contenção.
Por outro lado, é verdade que, para o bem e eventualmente para o mal, têm surgido movimentos intencionados em influenciarem de baixo para cima o sistema político, e cujos resultados somente o tempo apresentará. Mas, já é um sinal contra o abstracionismo político. Nesses exemplos estão o MBL, o Vem Pra Rua, o Acredito, o Agora, e tantos outros em gestação para 2018, na maioria comandados pela vitalidade de jovens em estado de inclusão política.
Será cada vez mais importante contaminar para combater a letargia de grande parte da sociedade desinteressada que sempre atribuiu ao Estado a condução de suas vidas, ainda que se trate de um Estado infectado por incompetência, corrupção, fisiologismo, corporativismo, e outros pecados mortais.
Sem pretender entrar no mérito da questão, mas, buscando exemplificar, é de se dizer que somente em um país com esse tipo de perfil tornou-se possível a licenciosidade argumentativa de um condenado que, forçando ao extremo a concentração mental, tem sugerido existir uma conspiração de delegados, procuradores, magistrados e jornalistas contra seus projetos políticos. A inversão de valores é tão significativa que, na hipótese, todos aqueles deveriam estar presos. E o condenado, solto!
Ora, uma coisa é torcer pelos índios; uma coisa é torcer pelo time pequeno. Mas, jamais será correto torcer pelo criminoso, ou invadir cidades, ou sitiar tribunais, ou ameaçar badernas, ou ameaçar a ordem pública.

Por: Luiz Saul Pereira/ BRASILIA - DF
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