São poucas cidades brasileiras sem pedintes, flanelinhas e crianças maltrapilhas pelas ruas. Um local sem assaltos, nem crimes. Não há casebres, nem miseráveis. A única cadeia foi transformada em centro de produção cultural pela falta de “hóspedes”. O trabalho de instituições religiosas, principalmente de freiras e frades, contribui para isso. Para se ter uma idéia desse apoio, 500 crianças de famílias pobres, não miseráveis, se alimentam três vezes por dia.
Acrescente a essa imagem um alto nível de alfabetização e uma estrutura agrária formada por pequenas propriedades. Para se ter uma idéia do nível de escolarização dessa cidade, aparentemente irreal para os padrões brasileiros, basta dizer que para uma população prevista para o ano passado de 15.221 pessoas, existem 27 escolas municipais, três estaduais e três privadas. A taxa de escolarização, segundo dados do IBGE de 2010, era, entre alunos de 6 a 14 anos, de 98,4%. O número de alfabetizados é de 11.664 pessoas. Isso significa que 76% da população é alfabetizada. Em outras palavras, sabe ler, escrever, contar e entender textos.
Não é uma “Terra do Nunca”. É um localidade real com a expectativa de vida chegando a 72 anos. As pessoas plantam cana, produzem café (agora em menor quantidade) e colhem frutas, especialmente a goiaba. A cana não tem nada a ver com usinas de açúcar. Ela se destina à produção de rapadura, aguardente e licores.
Mas, com a elevação da temperatura mundial, a agricultura sofre. Os riachos já não correm o ano todo. A cachoeira é sazonal. A agricultura, principalmente a produção de café, sofre com as mudanças climáticas.
No entanto, seus habitantes, por conta do nível de informações, sempre encontram caminhos. Seu passado histórico, casario secular, tradições culturais e atrações geográficas apontam para novos horizontes. O turismo é esse caminho.
Ao contar com o ponto mais alto de toda parte setentrional do Nordeste, a partir da margem esquerda do Rio São Francisco, o município explora turisticamente esse acidente geográfico, situado a 1.260 metros acima do nível do mar.
Essa cidade é a pernambucana Triunfo, situada na Serra da Baixa Verde, no Sertão do Pajeú. Ela é uma terra real.
Por: Eduardo Ferreira


Extraordinário texto publicado neste conceituado blog Opinião Triunfo.
ResponderExcluirO extraordinário avanço editorial deste informativo foi capaz de permitir a maravilhosa publicação desse conceituado jornalista Eduardo Ferreira.
ResponderExcluirAcredito que o desafio desse blog Opinião para 2018 será fazer um editorial a nível do que vem publicando com colaboradores gabaritados.
ResponderExcluirO que é publicado nas redes sociais já ganha tamanha dimensão que se mostra capaz de afetar os resultados eleitorais. Em Triunfo o trabalho que vocês desenvolvem há décadas também merece ser destacado e aplaudido.
ResponderExcluirO famoso jornalista Eduardo Ferreira foi muito feliz e sensível na sua matéria, porque realmente a cidade de Triunfo , é tudo isso e algo mais, do que foi muito bem detalhado.
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