
Como escreveu Euclides da Cunha, em Os Sertões, viver é adaptar-se. Por isso, o Brasil paralelo do Palácio do Planalto rapidamente movimentou-se no imaginário particular de superação do imbróglio da pasta do Trabalho na busca da adaptação às circunstâncias políticas.
Nem se devia estar falando em tal situação de constrangimento. Mas, eis que, de repente, emergiu para os microfones e holofotes o Roberto Jefferson na condição de lacrimoso e orgulhoso pai para anunciar a deputada Cristiane Brasil, sua filha, como a nova Ministra do Trabalho, em uma situação que considerou um resgate do nome da família.
Para se compreender aquela programática emoção faz-se necessário retroagir no tempo para assimilar o Roberto Jefferson como o mais improvável herói que, vendo desatendida as pretensões dificilmente republicanas de então, chutou o balde denunciando as peripécias criminosas do José Dirceu, ocasião em que, certamente sem conjeturar as consequências de sua fala, cunhou o termo “mensalão”.
Decerto sem querer, mas apenas para pressionar, produziu o gatilho da Ação Penal 470, a qual, além de dinamitar algumas carreiras políticas, nunca mais parou até parir as operações Lava Jato, Zelotes, Cui Bono, e todas as demais em andamento ou ainda por serem inauguradas.
Somos, pois, um país tão destrambelhado que havemos de nos render ao heroísmo de um bandido tal qual os demais que, depois de haver cumprido pena de prisão em grande medida por força de sua frase denúncia, voltou à política partidária e, neste momento, em grande e emocional rentrée, dá as cartas à Presidência da República.
Mas, não é só isso! A investidura da deputada Cristiane Brasil – que, aliás, foi citada em delação, sem aparente comprovação, por recebimento de propina – abre espaço para a ocupação de sua vaga na Câmara dos Deputados, que será provida pelo suplente, no caso, Nelson Nain (PSD-RJ). Esse Nain é, ninguém menos do que irmão de Anthony Garotinho, um parentesco que se não condena também não avaliza.
Tal qual o irmão que esteve recentemente preso por crimes difusos a ele atribuídos, e solto por benemerente interpretação do Ministro Gilmar Mendes, o Nahin é também ex-presidiário, tendo sido preso com outras 12 pessoas, em junho de 2016, numa ação da Polícia Civil e do Ministério Público, sob a acusação de participar de uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes, em Campos de Goytacazes (RJ).
Depois de quatro meses em cana, foi solto após habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Sempre assim ...
Bom, mas o pior é que ainda poderia ter sido pior, uma vez que algumas figuras vivandeiras da Esplanada, tidas como aliadas, cogitaram oferecer o nome do também deputado Sérgio Moraes (PTB-RS) para o cargo agora ocupado pela Cristiane.
Esse Sérgio Moraes é aquele mesmo deputado, para quem não lembra, que declarou há algum tempo que estava “se lixando para a opinião pública”. Logo no Ministério do Trabalho!!!
Para completar, enquanto o Jefferson resgata o nome da família, eu e o Brasil acordamos hoje com o compromisso de pagar o acordo internacional firmado pela Petrobrás, no valor de US$2,9 bilhões, que, na nossa moedinha, se elevam a um pouco mais de R$10 bilhões.
Obrigado, tia dilma! Obrigado, Lula!
Por: Luiz Saul Pereira
BRASÍLA - DF
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